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A GRUTA

la grotte é, antes de mais, a história de um encontro, ou de uma série de encontros: em primeiro lugar, um encontro entre um corpo e um ambiente - a gruta de Combarelles, na Dordogne. Em contacto com estas paredes gravadas com motivos humanos e animais há mais de 13.000 anos, o coreógrafo Pol Pi experimentou um duplo movimento de descentração e de alargamento; no coração das entranhas que se aprofundam na terra, sentiu um apelo para decifrar e incorporar a existência destas múltiplas presenças - para transmitir algo do que este lugar tem para nos ensinar.

É também o encontro com Monique Veyret, guia da Grotte des Combarelles, e a sua atenção à leitura destas silhuetas frágeis, aprendendo a gramática das linhas traçadas na pedra à luz de uma lâmpada de gordura. Aqui, o dorso de uma leoa, aqui, a cabeça de um cavalo, o contorno de uma figura feminina estilizada - utilizando os relevos e as cavidades da rocha. A leitura dos signos, e de todas as correspondências que se estabelecem entre eles, revela a variedade de futuros, a constante mistura de formas vivas. Utilizando o transe cognitivo auto-induzido como ferramenta criativa - a fim de entrar em ressonância com outros estados, outras vozes, outros usos do seu corpo - Pol Pi compôs uma coreografia à maneira de uma visita guiada. Esta viagem interior leva-nos tanto para dentro de si como para os recantos de um lugar imaginário em vias de se concretizar. Cada ser é múltiplo, a caverna parece sussurrar-nos à medida que as figuras animais se revelam, mutam e se recompõem na sua carne.

Pol Pi leva-nos numa viagem sensorial, sonora e física através de um corpo rasgado, amplificado e cheio de intensidade. A sua dança faz emergir outras formas de existência, outras maneiras de se relacionar com o mundo exterior e utiliza todas as metáforas da caverna - lugar secreto, refúgio, entranhas ou útero. Tanto uma escavação arqueológica como um ritual de fertilidade, la grotte cria criaturas singulares, permite que as vozes sejam ouvidas e dá origem a mundos. Na sequência de ALEXANDRE e Me too, Galatée, Pol Pi continua a sua exploração do futuro, com o desejo de perturbar o género para além do humano e de explorar o potencial de metamorfose do corpo.

- Gilles Amalvi



©Jean Gros Abadie



O PROJETO


A metamorfose como território de exploração sempre me foi familiar, seja através do butoh e do teatro físico, minhas portas de entrada no mundo da dança, seja através do processo de transição de gênero que atravessa a minha vida íntima-política há quatro anos.

Quando conheci a trajetória de Corine Sombrun, compositora, pesquisadora e especialista em estudos de transe, os múltiplos devires que brotam de sua obra ressoaram fortemente em mim. O transe cognitivo autoinduzido, protocolo implantado por ela para atingir um estado de consciência modificado encarnado, é uma ferramenta de expansão da autopercepção e, consequentemente, uma ferramenta de criação: "aceitar não ser o que você pensa que é" , tornar-se rocha, lobo, mosca, morcego, árvore, cogumelo… Colaborar com Corine é para mim um desejo de questionar o gênero para além do humano.

A prática do transe guiará a criação de uma performance que surgirá da relação que será tecida entre a caverna de Combarelles e eu. Esta caverna situada na região da Dordonha tem mais de 600 figuras parietais gravadas, o conjunto sendo atribuído ao Magdaleniano tardio, por volta de 13.000 anos a.C. Através de visitas e da prática do transe no local e/ou em interação remota com esta gruta, pretendemos criar um objeto performativo guiado pela inteligência intuitiva própria do estado de transe.




Um projeto de Pol Pi

em colaboração com

Tamar Shelef: vista exterior

Gilles Amalvi: criaçao de som, com a partitipação de Diane Blondeau

Rima Ben Brahim: criaçao de luz

La Bourette: criaçao de figurinos

Alicia Zaton: pesquisa visual

Baptiste Chatel: consultoria em engenharia de som

Corine Sombrun/TransScience Research Institute: transmissão/acompanhamento em transe cognitivo auto-induzido

Agradecimentos: Marc Martinez e Monique Veyret, administrador e guia da Grotte de Combarelles.

Produção: NO DRAMA

Produção delegada : Latitudes Prod. - Lille

Coprodução: La Briqueterie - CDCN du Val-de-Marne

Residência de escrita: Les Grandes Fenêtres, lugar de encontro para a criação, a experimentação e a investigação interdisciplinar, situado em Villa les Roses, Excideuil, Dordogne Périgord Vert.

A primeira fase dos trabalhos na gruta foi produzida pelo programa «Mondes nouveaux» implementado pelo Ministério da Cultura no âmbito da France Relance.





© Tomas Cali

© Tomas Cali



© Latitudes Prod


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